Neste percurso circular, de 7 km de extensão, os caminhos são habitualmente pedregosos e de tonalidade amarela, devido à sua origem na pedra pomes (única pedra que flutua na água).Frequentemente vêem-se obsidianas (ou vidro vulcânico), pedra semi-preciosa de cor negra e arestas aguçadas, empregue em joalharia.
Passa por uma vereda, talhada pelos homens, animais e factores erosivos, onde uma galeria abobadada de árvores o impede de ver o sol durante alguns minutos. No chão terroso e húmido crescem fetos e estranhos cogumelos e musgos.
Ouvimos, no meio da vegetação, a curiosa estrelinha, o melro-preto e os pombos. Cruza pequenos afluentes, alguns secos, de uma ribeira que nasce mais acima. Pelo caminho, um pouco inesperadamente, esperam-no alguns pés de angelica lignescens e de sanicula azorica herbáceas endémicas dos Açores.
Chegados ao marco pode ver o derrame de lava que separa as povoações da Serreta e do Raminho. Alinhando o olhar por 2 vértices do marco encontra no mar a ilha Graciosa. Mais fácil é ver a ilha de São Jorge com a montanha do Pico por detrás. Admire daqui, no fundo desta perfeita cratera, esta pequena Lagoínha da Serreta, de águas límpidas e grande beleza cénica, cuja integridade, enquanto ecossistema lagunar, a torna de grande importância para a vida selvagem.
Na descida é levado até junto das ravinas da Ribeira de Além, com os taludes repletos de vegetação natural, onde pequenas “janelas”, permitem observar o profundo vale desgastado pelo tempo e pela água, e a paisagem impressionante da vegetação, com espigos-de-cedro (arceuthobium azoricum) que crescem sobre o cedro-do-mato, no meio de uma amálgama de outras espécies de grande valor patrimonial.
Já no Pico Negrão o caminho que o espera transforma-se numa instável descida, com o chão a resvalar frequentemente sob os nossos pés. Felizmente, aqui e ali, alguns degraus dão uma providencial ajuda, e em breve chega ao fim do passeio.