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No teu seio se deitará a Lua,
Se um dia aqui chegar,
Do mesmo modo que é tua
A alma que te avistar.
Serra de Santa Bárbara


A Serra de Santa Bárbara, no lado Oeste da ilha Terceira, Concelho de Angra do Heroísmo, é um extinto estratovulcão, com cerca de 13 quilómetros de diâmetro na base cónica e com 1021 metros de altura.
De Angra do Heroísmo, facilmente se capta, com um simples golpe de vista, a Serra de Santa Bárbara, o que é, do Pico das Cruzinhas no Monte Brasil, uma paisagem singular da ilha Terceira ou mesmo dos Açores.
A paisagem é o resultado material de todos os processos naturais e sociais que ocorrem num determinado local. Assim, a Serra de Santa Bárbara, vista de Angra do Heroísmo, cidade Património Mundial, é o seu gene natural no ADN de qualquer olhar.
A paisagem que se vê do Monte Brasil, ou do cimo da Serra de Santa Bárbara é a síntese de todos os elementos presentes na ilha Terceira, e a sua apreensão, produz uma imagem de um mundo de fadas, de grandiosidade do Atlântico e da pequenez da terra que um dia quis ser o centro do mundo ocidental, por onde qualquer caravela com matrícula portuguesa aspirava passar.
As nuvens reconstroem a cada segundo a paisagem, no mesmo espaço, e tudo que se pode ver em redor é ilha misteriosa, Graciosa, Dragão espraiado no mar ou Monte Olimpo de uma Atlântida perdida. No fundo, também se pode ver de Santa Bárbara, um espaço contraído ou expandido pela meteorologia. Aí, a paisagem transforma-se, num determinado instante, em memória.
A paisagem da ilha Terceira, anda de mãos dadas com a sua história geológica. Essa história conheceu mais de uma centena de erupções vulcânicas subaéreas nos últimos 20.000 anos. Tais erupções centraram-se nos vulcões de Santa Bárbara e do Pico Alto, ou ocorreram ao longo do sistema de fracturas que determina a faixa de vulcanismo fissural que se estende, entre aqueles dois aparelhos. Assim, a paisagem colhida de, e para Santa Bárbara, permite observar um sistema complexo e dinâmico, onde os factores vulcânicos e culturais interagem e evoluem em conjunto.
Em 1761, quando a ilha já estava povoada, ocorreu uma erupção no flanco Este do Vulcão de Santa Bárbara, no local designado por Pico Gordo. Dias depois dessa primeira erupção, teve início uma segunda fase eruptiva um pouco mais para Leste, no local do Mistério Velho, onde se abriram bocas de fogo, a partir das quais se originaram escoadas lávicas que fluíram na direcção dos Biscoitos.
No topo da Serra de Santa Bárbara, ocupando a sua cratera encontra-se a Reserva Florestal Natural da Serra de Santa Bárbara. Se voltarmos o olhar para o interior da cratera vê-se a paisagem interior determinada pela ecologia e factores emotivo-sensoriais:

Capta-se o verde numa lufada de ar fresco
E vê-se a virgindade pudica da ilha,
Escondida por mantos de nuvens.

A Serra de Santa Bárbara, dada a sua distinta altitude e os elevados níveis de humidade, alberga espécies emblemáticas da fauna e flora dos Açores, que importam preservar, como tal, proteger. Todos os seres vivos presentes nesse lugar são elementos que formam a paisagem.
A caldeira do vulcão da Serra de Santa Bárbara faz parte do Sítio de Importância Comunitária da Serra de Santa Bárbara e Pico Alto que se desenvolve desde o nível do mar até às montanhas. Neste SIC está representada a maioria dos tipos de ecossistemas naturais dos Açores.
Existem no SIC Santa Bárbara – Pico Alto diversos exemplos de espécies e habitats protegidos por Legislação Comunitária (Directiva 92/43/CEE) e Nacional (Decreto-Lei n.° 140/99) com grandes povoamentos de flora indígena das florestas de laurissilva típicas dos Açores. A floresta de Laurissilva, tem uma origem relacionada com as florestas húmidas do Terciário existentes no Sul da Europa e desaparecidas há milhões de anos aquando das últimas glaciações. É uma floresta com um índice de endemismos muito elevado.
A conjugação de diversos factores, como as condições geológicas, o relevo e a existência de microclimas bem diferenciados na montanha de Santa Bárbara, influenciaram marcadamente a natureza das espécies vegetais e a sua distribuição.
Dos 17 habitats protegidos e incluídos no SIC de Santa Bárbara e Pico Alto, encontram-se, entre outros as falésias com flora endémica das costas macaronésicas, vegetação vivaz das costas de calhaus rolados e os matos macaronésicos endémicos (matos densos baixos de Erica). A montanha de Santa Bárbara é rica em biodiversidade, desde o sopé ao interior da sua cratera.

Depoimento em vídeo de Cecília Melo
Universidade dos Açores
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