Procuro olhar a vida nos pequenos musgos que me enfeitam a solidão,
Ínfimo oásis de vida como é a felicidade ou o contentamento.
Quase que são transparentes na essência,
Quase que são omnipotentes na sobrevivência.
O Echinodium renauldii é um musgo pleurocárpico endémico dos Açores, pertencente à Divisão Bryophyta, Subdivisão Bryophytina, Classe Bryopsida, Ordem Echinodiaceae e género Echinodium.
Os briófitos são pequenas plantas, essencialmente terrestres, caracterizadas pela ausência de tecidos vasculares (sem raízes, caules ou folhas) e pela dominância da geração gametófita em relação à geração esporófita (Cardoso et al., 2008).
O musgo que aqui se refere está presente em sete das nove ilhas dos Açores (excepto Graciosa e Santa Maria) e integra a lista vermelha mundial de briófitos da IUCN (International Union for Conservation of Nature) que contêm 92 espécies (IUCN, 2000). A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais das espécies ameaçadas, também conhecida como Lista Vermelha da IUCN ou, em inglês, IUCN Red List ou Red Data List, foi criada em 1963 e constitui um dos inventários mais detalhados do mundo sobre o estado de conservação mundial de várias espécie de plantas, animais, fungos e protistas.
A Lista Vermelha obedece a critérios objectivos, para avaliar os riscos de extinção de milhares das espécies e subespécies em todas as regiões do mundo, com o objectivo de informar sobre a urgência da adaptação medidas de conservação pelo público e pelos legisladores, assim como ajudar a comunidade internacional na tentativa de reduzir as extinções.
O género Echinodium está limitado a seis espécies a nível mundial, quatro delas na região biogeográfica da Macaronésia (Açores e Madeira e Canárias) e outras duas confinadas a regiões da Austrália e Pacífico (Stech et al., 2008).
No concelho de Angra do Heroísmo é possível encontrar duas espécies de Echinodium: o Echinodium renauldii e o Echinodium prolixum. Relativamente ao primeiro briófito, alvo deste trabalho, ocorre em menos de doze locais no Arquipélago dos Açores e parece estar em declínio.
O Echinodium renauldii é um musgo de tamanho médio, ramificado, verde escuro com folhas verde-amarelados de cerca de 5 cm, filideos erectos subulatos de base triangular, ligeiramente plicadas, com uma faixa amarela dourada composta por 5 a 10 filas de células lineares alongadas e cápsula vermelha alaranjada também ela alongada.
É, de acordo com Homem & Gabriel (2008) e Cardoso et al., (2008) de primordial importância que se desenvolvam acções sobre o habitat dessa espécie, nomeadamente na manutenção e conservação das áreas protegidas onde ela ainda ocorre e no estabelecimento de novas áreas protegidas nas ilhas açorianas.
O Echinodium renauldii ocorre a cotas de altitude relativamente baixas (até 450 m) estando fora das áreas actualmente protegidas nessas ilhas.
O infinitamente grande engole o infinitamente pequeno e gera o que vemos. O Echinodium renauldii é um misto de realidade e imaginação. A realidade tem uma escala, a imaginação tem outra.
Bibliografia
Cardoso, P., Borges, P. A. V., Costa, A. C., Cunha, R. T., Gabriel, R., Frias Martins, A. M., Silva, L., Homem, N., Martins, M., Rodrigues, P., Martins, B. & Mendonça; E.. 2008 A perspectiva arquipelágica: Açores. In Martín, J.L., Arechavaleta, M., Borges, P.A.V. & Faria, B. 2008. Top 100. Las 100 especies amenazadas prioritárias de gestión en la región europea biogeográfica de la Macaronesia. Consijería de Medio Ambiente y Ordenación Territorial, Gobierno de Canárias. Espanha.
Homem, N. & Gabriel, R. (2008). Briófitos Raros dos Açores. Princípia Editora. Estoril.
Stech, M., Sim-Sim, M., Esquível, M. G., Fontinha, S., Tangney, R., Lobo, C., Gabriel, R.& Quandt,
D. 2008. Explaining the ‘anomalous’ distribution of Echinodium (Bryopsida: Echinodiaceae): Independent evolution in Macaronesia and Australasia. Organisms Diversity & Evolution. 8(4): 282-292. |
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