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Do ouro dos tolos que reluz,
Ao ouro que se reproduz,
É um tratado de química,
Que há debaixo deste chão,
Desde os tempos da criação.
Gruta das Agulhas
A Gruta das Agulhas é uma das grandes atracções da freguesia do Porto Judeu, situada na Ponta dos Coelhos, Refugo, no Concelho de Angra do Heroísmo. Trata-se de um característico tubo de lava com uma localização curiosa junto à costa, com saída para o mar.
A Gruta das Agulhas de origem vulcânica, teve a sua origem na erupção do vulcão do Algar do Carvão, no interior da ilha Terceira, e só foi descoberta em 1967, pela Associação espeleológica “Os Montanheiros”.
Em tempos essa gruta foi convenientemente iluminada e fechada com uma porta apropriada, obra da responsabilidade do mesmo grupo "Os Montanheiros". Contudo, a fúria do mar destruiu tudo isto, pelo que, actualmente se encontra aberta, mas não explorada turisticamente.
A formação geológica desta gruta deve-se à escorrência de lava líquida proveniente da erupção do Algar do Carvão que fluiu para o mar atingindo a costa da ilha desde a Serretinha, na freguesia da Feteira, até ao Porto Judeu, formando toda uma zona costeira de pedra preta e queimada caracterizada pelas suas pedras negras de grandes dimensões.
Essa corrente de lava ao chegar ao mar deu origem a algumas baías, arribas e vários escolhos perigosos para a navegação costeira. A lava, nalguns locais formou no seu interior tubos de escorrência lávica que ao esgotar a sua fonte de alimentação e tendo alcançado o seu destino final deixou aberta uma galeria com várias dezenas de metros de extensão.
A Gruta das Agulhas tem várias ramificações, tendo a galeria principal cerca de 300 metros de comprimento. Debaixo do tubo lávico principal há outras pequenas galerias cujo comprimento máximo tem uma extensão de cerca de 30 metros. No seu interior poderão ser observadas estruturas geológicas diversas como: escorrências de diferentes tipos de lava, estalactites (pingos de lava) e balcões laterais. Esses balcões foram formados pelos diferentes níveis das distintas correntes de lava.
A Gruta das Agulhas deve o seu nome a uma grande quantidade de formações sedimentares minúsculas de sílica em forma de “agulhas”, que cobrem as paredes e os tectos da gruta, especialmente os balcões. O visitante menos atento não as observa, no entanto, se se apoiar nas paredes laterais, sentirá picadas nas mãos, como se de agulhas se tratassem. Essas picadas podem inclusivamente provocar ferimentos de certa gravidade, aconselhando-se qualquer visitante a não se apoiar em qualquer estrutura da gruta e a não visitá-la sem capacete ou acompanhamento especializado.
Desde a sua descoberta em 1967, que a fauna carvenícola da Gruta das Agulhas tem sido estudada. Nessa gruta existe uma centopeia endémica dos Açores, a Lithobius melanops borgei Eason & Ashmole, um ácaro endémico, o Phthiracarus falciformis Morell & Subías, um pseudoscorpião cavernícola endémico, o Pseudoblothrus vulcanus Mahnert, duas pulgas-do-mar endémicas, a Macarorchestia martini Stock e a Orchestia chevreuxi De Guerne e dois colêmbolos endémicos, o Pseudosinella ashmoleorum Gama e o Pseudosinella azorica Gama.
A Gruta das Agulhas tem ainda a particularidade de ter vastíssimos tapetes de bactérias que cobrem paredes e solo. No solo da gruta, encontram-se pequenas quantidades de argilas que são introduzidas pela água que goteja através de pequenas fracturas no seu tecto.
Imagens obtidas por microscopia electrónica (SEM-Scanning Electron Microscopy) revelam a presença de estruturas semelhantes a esporos, que se encontram fazendo parte dos tapetes microbianos da gruta (ver figura seguinte).


Imagem de Diana Northup da Universidade do Novo México obtida no âmbito de um projecto da Universidade dos Açores, financiado pela Fundação da Ciência e Tecnologia.

Na figura seguinte, apresenta-se uma imagem, com uma ampliação de 250, por microscópio electrónico, de um biofilme colhido na Gruta das Agulhas.


Imagem de Diana Northup da Universidade do Novo México obtida no âmbito de um projecto da Universidade dos Açores, financiado pela Fundação da Ciência e Tecnologia.

A Gruta das Agulhas mostra-nos que as profundezas da Terra também abrigam comunidades microbianas que não necessitam da luz para sobreviver, pois utilizam, em vez desta, a energia química das rochas e elementos vulcânicos.
A descoberta destes ecossistemas de profundidade levou a que alguns cientistas colocassem a hipótese de que a vida na Terra poderá ter-se iniciado nas suas profundezas, tendo posteriormente migrado para a superfície, quando as condições ambientais assim o permitiram.
As grutas açorianas continuam a guardar mistérios que esperam ser desvendados.

Depoimento em vídeo de Maria de Lurdes Enes
Universidade dos Açores
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