As aranhas constituem uma das ordens dos artrópodes mais diversificada.
É fácil concluir, através de uma análise bibliográfica, que os estudos sobre as aranhas dos Açores são muito recentes, tendo a maioria desses trabalhos a assinatura do professor Paulo Borges do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. No entanto, no século XIX, o gosto de Arruda Furtado pelos estudos malacológicos e antropológicos não o impediram de se dedicar a outras áreas científicas. Assim, tendo verificado que as aranhas dos Açores não tinham sido estudadas, orientou a sua atenção para estes animais, formando uma colecção que enviou ao aracnologista francês Eugène Simon, o primeiro dos seus correspondentes, que aceitou determinar exemplares e cujos resultados publicou em 1883.
As aranhas distinguem-se dos insectos pelas seguintes características: têm quatro pares de pernas; não possuem asas ou antenas; o seu corpo divide-se em duas partes (cefalotorax e abdómen, ao contrário dos insectos que possuem três) e produzem seda ou teia.
As aranhas possuem oito pernas (enquanto os insectos possuem seis) e os seus olhos são lentes únicas, em vez de lentes compostas. As aranhas podem ter 8, 6, 4, 2 ou mesmo nenhum olho, como no caso de algumas aranhas cavernícolas, mas não é o caso da aranha em questão, a Turinyphia cavernicola, que tem oito olhos, mas ligeiramente mais reduzidos do que nas aranhas de superfície.
Neste momento, conhecem-se 122 espécies de aranhas nos Açores, que se distribuem por 90 géneros e 26 famílias. Apenas 35 dessas aranhas são endémicas ou nativas dos Açores, as restantes espécies são provenientes de outras partes do mundo, desde a Europa, África, América do Sul ou outros arquipélagos ou ilhas (Borges, & Wunderlich, 2008).
O reduzido número de aranhas indígenas nos Açores está relacionado com o seu afastamento geográfico dos continentes ou outras ilhas. Até agora foram registadas apenas 22 espécies de aranhas endémicas dos Açores.
De acordo com Borges & Wunderlich, (2008), a composição da fauna de aranhas nos Açores pode ser vista pelos aracnologistas como muito peculiar, uma vez que muitas famílias nativas podem ser vistas a co-habitar com espécies exóticas.
A Turinyphia cavernicola é uma aranha endémica do Concelho de Angra do Heroísmo que existe apenas no Algar do Carvão e noutra gruta da ilha. Conhecem-se, a nível mundial várias espécies de Turinyphia: Turinyphia cavernicola Wunderlich, 2008 — dos Açores, Turinyphia clairi (Simon, 1884) — no Sul da Europa, Turinyphia maderiana (Schenkel, 1938) – na Madeira e a Turinyphia yunohamensis (Bösenberg & Strand, 1906) — na China, Coreia e Japão.
A Turinyphia cavernicola faz parte da lista TOP 100 de espécies prioritárias de gestão e conservação de espécies da Macaronésia de Martín et al., (2008), referindo esses autores que no caso dessa aranha endémica bastará uma gestão cuidada das actividades de visitação do Algar do Carvão na ilha Terceira, Concelho de Angra do Heroísmo, para que haja uma protecção eficaz a essa espécie.
As aranhas constituem um grupo de invertebrados predadores com cerca de 35.000 espécies conhecidas em todo o Mundo e apenas 500 em Portugal. As aranhas ocorrem em todos os habitats de todos os continentes, excepto no Antárctico, sendo os habitats cavernícolas vulcânicos os mais estranhos ambientes para encontrar aranhas. Sendo estas predadoras de vários grupos animais, principalmente insectos, têm dificuldades acrescidas de alimentação nos tubos lávicos vulcânicos. As aranhas são assim organismos altamente especializados e perfeitamente adaptados ao meio subterrâneo, sendo dele exclusivos, como é o caso da Turinyphia cavernicola.
O grupo dos aracnídeos é especialmente importante em termos ambientais, pois como estão no topo da cadeia alimentar, constituem-se excelentes bio-indicadores. Sendo as aranhas predadoras, as alterações que ocorram no ambiente e, consequentemente, nas plantas e insectos que destas se alimentam, vão-se reflectir nas espécies de aranhas existentes e na sua abundância num dado habitat.
As aranhas exibem troglomorfismos - adaptações ao meio subterrâneo, que são de tal forma especializadas que não são capazes de sobreviver na superfície. Por se encontrarem adaptadas às condições estáveis do meio cavernícola, são espécies altamente sensíveis a perturbações. Para fazer face à escassez de recursos alimentares, os troglóbios criaram estratégias de desenvolvimento que passam pela poupança energética. A sua única garantia de sobrevivência é a conservação do meio em que vivem.
Uma aranha tem oito patas,
Mas uma pata, só tem duas.
Porque faz a Natureza,
Travessuras assim, das suas?!
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